Nada melhor do que arquitetar em conjunto
Zenildo Caldas
por Suara Macedo
Nos
edifícios modernos do Recife, na beleza provinciana de Gravatá, na fraternidade
de Corrente (PI). Em diversos lugares ver-se traços riscados por Zenildo
Caldas. Um arquiteto, um professor, um humanista, um pai, um amigo. E assim
segue-se a lista de papéis que não lhe foram atribuídos, mas que ele
naturalmente é.
O
magistério não é só um ofício, mas também um talento tão nato quanto à
arquitetura. Entrou na universidade em 1958 e foi um dos fundadores da Faculdade
de Urbanismo, antes um curso da escola de belas artes. Professor da UFPE a partir de 1973 no
departamento de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Artes e Comunicação, o
qual também chefiou em 92. Foi professor do I Curso de especialização em
Desenvolvimento Urbano realizado na Faculdade de Arquitetura do Recife em
74.
Mas
não é só à UFPE que se resume sua atuação. Zenildo Caldas é um expoente da
arquitetura pernambucana. De 1963 a 66
foi chefe do Serviço de Censura Estática da prefeitura municipal do Recife.
Atuou
como suplente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da 2ª
Região, representando o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de
Pernambuco. E de 65 a 73 foi diretor do Escritório Técnico de Planejamento
Físico da Prefeitura do Recife, quando também foi membro da comissão nomeada
pelo governo do Estado para estudar as providências preliminares para o
planejamento integrado da área Metropolitana do Recife.
Em
1976, seu projeto de Centro Social Urbano (CSU) da Cidade do Cabo ficou em
primeiro lugar no ranking nacional. E no Concurso Nacional para o
Projeto do Centro de Convenções e Feiras do estado ficou na quarta colocação. Também
foi diretor do departamento de desenvolvimento urbano da Secretaria de
Planejamento Urbano da prefeitura do Recife de 1984 a 88. Quando desenvolveu a Lei de Uso de
Ocupação do Solo do município.
Em
alguns pontos da RMR a expressão da sua arte marca presença, por exemplo: num
dos prédios do SENAC, na Suassuna; ou no Centro de Treinamento da Mercedes
Benz, na Imbiribeira.
No Edificio Governador Cid Sampaio, aplicou o
conceito de gabinete virtual. Uma ideia inovadora que consiste em
disponibilizar um cômodo na parte exterior do apartamento, onde pode ser
desenvolvida uma biblioteca, escritório, ou um espaço para receber visitantes,
para acompanhar o ritmo de vida atual. “Isso pegou. Todo mundo está fazendo
agora” afirma o professor Zenildo.
Zenildo
Caldas também arquitetou o cemitério Parque das Flores, localizado no Sancho. Concepção
que sua filha, Renata Caldas, também arquiteta, mais admira, pela plástica,
leveza e beleza. Para ela o que o
caracteriza seu pai é a “busca pelo conhecimento e o propósito de acompanhar as
mudanças do mundo sem deixar de lado a preocupação com os aspectos ambientais”.
E todos esses aspectos são vistos e vividos também por quem trabalha ao seu
lado. Com humildade ele sempre destaca que o trabalho foi realizado em
equipe. A adequação ao cotidiano, a
sofisticação e o desenvolvimento sustentável, já destacados por Renata Caldas,
acompanham cada projeto do professor.

Ele
foi coordenador do convênio entre o mestrado de Desenvolvimento Urbano da
Universidade Federal de Pernambuco e a Fundação Projeto Piauí para execução do plano diretor da cidade de Corrente. Lá ele
concretizou mais um dos tantos feitos que
emociona Renata. A partir das comunidades produtivas e juntamente com a
população, o planejamento físico da cidade foi desenvolvido baseado nas necessidades
locais. Este trabalho que foi objeto de sua dissertação de mestrado, e se
apoiou numa metodologia de planejamento participativo, lhe rendeu o título de
cidadão de Corrente em 1979.
Como
um bom apaixonado por Gravatá, Caldas é responsável pela beleza de muitos
imóveis do local e também coordenou a Lei de Parcelamento Urbano do município. No
ano 2000, foi coordenador do plano emergencial da restauração da cidade de
Palmares.
Mesmo sendo autor de conceitos inovadores baseados na
participação ativa, alguns de seus projetos não foram implementados. Zenildo tentou o doutorado com um projeto de
desenvolvimento urbano intitulado Ecópolis.
A partir da ideia de que a cidade deveria se autogovernar, ele pensou o espaço
urbano como meio de “refletir e promover uma sociedade mais participativa e
democrática. O local em que se exerça a racionalidade na utilização dos
recursos naturais e por fim deve ser o local em que os seus cidadãos se sintam
felizes”. Assim a cidade foi pensada envolta de um eixo de desenvolvimento. Infelizmente seu projeto não foi selecionado
para o doutoramento. Nem por isso deixou de ter marcas expressivas de ideais
transformadores e mostrar que é possível para a ciência andar de mãos dadas com
a solidariedade no sentido mais agregador destas palavras.