segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Professora Esperança *

Por Lêda Rejane Sellaro




À professorinha leiga, que sem preparo formal,

Ensina adulto e criança, fazer carta e ler jornal.

Que, educando, politiza, forma o grupo, o mutirão,

Da verdade conscientiza, promove a organização.

Que valoriza o saber do seu povo – gente pobre –

E à linguagem popular incorpora a dita “nobre”.

Aquela - parte da vida - como a semente do chão;

Por isso, dita e sentida, usada sem confusão.

Junta à outra elaborada - a simbólica e “correta”-

Que é devida à criançada, pra falar de forma “certa”,

Se instrumentar vida afora, na cultura elitizada,

Pra saber “fazer a hora”, sem esperar, conformada.

Conhecendo a realidade e amando tudo o que faz

Ao desvelar a verdade,  sabe do quanto é capaz.

Acredita na criança, que pensa e cria, brincando;

A professorinha leiga não espera, vai  lutando.

Lendo o texto e o contexto, seja no livro ou jornal,

Ensina pra transformar esse mundo desigual.

Lêda Rejane Accioly Sellaro



·         Os versos fazem parte de um trabalho sobre o professorado leigo,
solicitado pelo professor Paulo Freire, no último curso ministrado no Mestrado em Educação da UFPE, no final dos anos 80.

Feliz Dia dos Professores

Por José Audísio Costa



Comemorar o dia do professor é uma obrigação de cidadania. Nós professores, qualquer que seja o nível em exerça sua função é extremamente importante na formação da cidadania em cada ser que está sob sua orientação educacional.  Isto por si só já revela o papel ímpar da profissão de ensinar. Ainda mais é a partir destes ensinamentos que se formam pessoas que no seu cotidiano serão responsáveis pela sua felicidade e da de outras. Assim alguns países mantêm a cultura de valorização do professor pelo que ele representa em relação ao desenvolvimento do país e seu bem estar econômico e social.

Infelizmente no Brasil esta cultura de valorização do professor não existe no momento. É preciso ser conquistada.  Isto exige um forte compromisso dos que exercem a direção do país, do estado e dos municípios. Estes por sua vez são eleitos pelos cidadãos e cidadãs, e as pesquisas mostram que quem defende educação, no processo eleitoral, sempre sai perdendo. O próprio povo não vota em quem defende educação como linha prioritária de ação. 

 Embora já esteja na constituição federal, de estados e municípios, que definem  orçamentos mínimos a serem aplicados nesta área,tal não é repassado ao professor, que continua sempre precisando desenvolver mais de uma atividade para garantir sua sobrevivência, em especial nos níveis mais iniciais deste processo. E é exatamente na fase inicial da educação que se processam os elementos necessário a que os alunos se motivem para apresentarem maior interesse pela educação. Aí a situação fica a desejar, o que permite manter a desvalorização do ensino e do professor por consequência.

Nas universidades federais este papel de ensinar está associado ao de promover a geração de conhecimento e transmitir esta à sociedade, o que se processas nos trabalhos de extensão na utilização dos conhecimentos pelo poder público e/ou privado.

Isto significa um compromisso a mais que deveria ser entendido pela sociedade e pelos governantes, o que de um modo gral não o é.  Pois é reconhecido que a educação e a geração do conhecimento são vitais para garantir a autonomia de uma nação. Quem não gera conhecimento fica à mercê dos que os detêm.

Em qualquer função, em especial no século XXI, a capacitação individual e coletiva torna-se fundamental.  Isto só será possível com a participação do professor, quer presencialmente ou utilizando a ferramenta tecnológica da educação à distancia, via internet. Por tudo isto, e pelo que não foi referido, devemos sempre saudar o dia do Professor e estarmos unidos em defesa dos seus direito e de sua valorização que passa pelas melhorias salariais e das condições de trabalho.

Ao professor e demais trabalhadores da educação a nossa mais juta homenagem neste dia 15 de outubro.

José Audísio Costa é professor Adjunto IV - Aposentado
Depto. de Nutrição – CCS- UFPE.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Comemoração ao Dia do Professor


A ADUFEPE convida seus sindicalizados para comemoração do Dia do Professor que será no dia 15/10(segunda-feira) no Clube Universitário da UFPE. 
Programação:

  • 12h - Almoço;
  • 15h - Recital dos professores.
Os interessados em participar do Recital devem entrar em contato pelo telefone (81)3036-2250/2254 ou pelo e-mail: ascom@adufepe.com.br.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Independência


Artigo do prof. Jarbas Souza


 Hoje, como de costume saí para arruar. Depois de longa caminhada, nas ruas do Recife, um pedinte tira-me a concentração da paisagem bucólica, estira a mão e me pede uma esmola.
Sem que ao menos pudesse responder-lhe, veio-me a mente um grande desespero misturado com tristeza, e me perguntei como se estivesse a falar comigo mesmo. Temos ainda escravos no Brasil? Porque haveria em uma terra tão grande, tão rica em recursos naturais, a terra prometida que Moisés tanto procurou no Saara e nunca encontrou, permitiria a um ser humano viver em situações degradantes.
Como se pode permitir alguém viver sem teto, sem alimento, sem dignidade e sem perspectiva de vida a mendigar sem esperança de dias menos injustos e mais humanos?
Senti naquele olhar uma profunda tristeza, cuja dor contida se expressava no  rosto de sofrimento e angústia de quem fazia um bom tempo que não comia.
Em meio aquela reflexão de um diálogo comigo e com os homens aparentemente de boa vontade, um vendaval de informações passou em minha mente como um filme. Lembrei-me que era 7 de setembro, pois ouvira  no cintilar sonoro dos ventos a agitação das comemorações.
Em frações de segundos, o filme da história se repetia, e ali estávamos a olhar um para o outro.
Ele a espera que lhe desse algo para continuar sua mendicância e eu compreendendo, mas sem entender, aquela cena dantesca.
Os sons levaram-me ao regate histórico da independência das amarras de Portugal, da libertação da escravatura, mas, não havíamos nos libertado do julgo dos homens com sede de poder e bens materiais, cada vez mais distantes de si e das virtudes que levam os homens em sua plenitude humana de beleza enquanto homem.
Seriam tão culpados daquele quadro surrealista, quantos tantos ao achar-me impotente na solução de um problema primário e básico de subsistência humana.
Por que a pátria Brasil havia lhe negado uma condição de vida digna? Porque os gerentes vivem em berços esplêndidos, enquanto outros deitados a mercês das intempéries sem esperanças e sem lenitivo?
Talvez aquela condição de subvida, servisse para alimentar a retórica dos que tanto prometem, para negar depois quando precisarmos.
Seria inocência, maquiavelismo ou desconhecimento dos fatos cujas verdades intrigam os homens de boa fé?
Assim como eu, milhões de cidadãos diariamente questionam a hipocrisia dos gestores, sem, contudo perderem a esperança de um dia ver concretizado o paraíso terrestre de Max.