Mostrando postagens com marcador Aula de Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aula de Vida. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Aposentadoria: uma percepção positiva

* Artigo do professor Francisco Cardoso Gomes de Matos


Existem diferentes concepções de aposentadoria e a quase  sinonímia usada em nossa cultura revela como as pessoas tendem a perceber essa fase da vida adulta. Assim há quem se refira à inatividade e aos inativos: também há quem use o termo terceira idade, para designar as pessoas aposentadas ou prestes a deixarem de exercer a atividade pela qual recebiam remuneração ou ganhavam seu próprio sustento, como profissionais autônimos, etc.

Além das designações primeira idade (infância), segunda idade (juventude) e terceira idade, dicionários atuais já registram a locução quarta idade, para designar as pessoas que se encontram aposentadas e já ultrapassaram os 75 anos. Veja-se, a propósito, os verbetes terceira idade e quarta idade no Dicionário de novos termos de ciências e tecnologias, de F. Vidossich e O. Furlan, publicado pela Pioneira, São Paulo, 1995.

O conceito de aposentadoria precisa ser revisto, aprofundado, humanizado, daí o objetivo principal desse ensaio: ajudar os leitores interessados a construir uma percepção de aposentar-se à luz da pedagogia da positividade. Recentemente recebi um bilhete de uma amiga, prematuramente aposentada por invalidez, com esta mensagem: “Atualmente estou sentido necessidade de me sentir produtiva. Afinal, aposentadoria não pode significar a morte....”

Esclareço que essa ativíssima pessoa tinha sido secretária executiva e, agora continua a prestar relevantes serviços – com auxílio de modernos recursos computacionais – a pessoas e instituições de sua comunidade, além de desempenhar seu papel de colaboradora em sua paróquia. Em suma, um exemplo verdadeiramente cristão de fé, amor ao próximo e de aposentadoria altamente construtiva.

Como seria bom se todos os aposentados pudessem continuar a servir, a contribuir para o bem de seus familiares e amigos, em suma concretizando que o aposentar-se bem significa aposentar-se para o bem. Iniciativas como o funcionamento de universidades de terceira idade (a Universidade Federal de Pernambuco, acrescentou essa dimensão humanizadora a seus programas de Ensino-aprendizagem, pesquisa e extensão) são importantes, mas precisamos ir além, conclamando o maior número de pessoas e entidades (do mundo comercial, empresarial, etc.) para que compartilhem dessa missão comunitária.

Cabe à mídia impresa, radiofônica, televisiva, eletrônica um papel principal na formação de atitudes positivas do público em geral sobre o que, em Direito Humanos, chamaríamos de direitos das pessoas aposentadas, que direitos deveriam ser assegurados aos que deixaram de trabalhar, além dos benefícios conferidos pela legislação trabalhista em vigor?

Criar-se condições para assegurar-se aos aposentados o Direito de uma educação continuada certamente constituiria um objetivo a ser concretizado comunitariamente. Outras ideias a respeito dos direitos de aposentados podem ser discutidas e postas em prática, de micro a macro contextos, por exemplo, nas paróquias, nos hospitais, nos clubes de serviço, nas associações profissionais, nas entidades públicas e privadas, etc. Que todos nós, jovens ou adultos, somemos esforços em favor dos que por serem categorizados como aposentados, não tem sido tratados com a dignidade e o respeito que muito bem merecem.

Francisco Gomes de Matos, aposentado da UFPE em 2003.
Professor Emérito de Linguística.
Pioneiro na área de Linguística da Paz.
Autor de Pedagogia da Positividade. Editora da UFPE,1996.
Co-fundador, Comissão de Direitos Humanos Dom Helder Camara,CAC,UFPE


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Série Aula de Vida


Nada melhor do que arquitetar em conjunto 

Zenildo Caldas

por Suara Macedo 

Nos edifícios modernos do Recife, na beleza provinciana de Gravatá, na fraternidade de Corrente (PI). Em diversos lugares ver-se traços riscados por Zenildo Caldas. Um arquiteto, um professor, um humanista, um pai, um amigo. E assim segue-se a lista de papéis que não lhe foram atribuídos, mas que ele naturalmente é.

O magistério não é só um ofício, mas também um talento tão nato quanto à arquitetura. Entrou na universidade em 1958 e foi um dos fundadores da Faculdade de Urbanismo, antes um curso da escola de belas artes.  Professor da UFPE a partir de 1973 no departamento de Arquitetura e Urbanismo do Centro de Artes e Comunicação, o qual também chefiou em 92. Foi professor do I Curso de especialização em Desenvolvimento Urbano realizado na Faculdade de Arquitetura do Recife em 74. 


Mas não é só à UFPE que se resume sua atuação. Zenildo Caldas é um expoente da arquitetura pernambucana.  De 1963 a 66 foi chefe do Serviço de Censura Estática da prefeitura municipal do Recife.
Atuou como suplente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da 2ª Região, representando o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de Pernambuco. E de 65 a 73 foi diretor do Escritório Técnico de Planejamento Físico da Prefeitura do Recife, quando também foi membro da comissão nomeada pelo governo do Estado para estudar as providências preliminares para o planejamento integrado da área Metropolitana do Recife.  

      Em 1976, seu projeto de Centro Social Urbano (CSU) da Cidade do Cabo ficou em primeiro lugar no ranking nacional. E no Concurso Nacional para o Projeto do Centro de Convenções e Feiras do estado ficou na quarta colocação. Também foi diretor do departamento de desenvolvimento urbano da Secretaria de Planejamento Urbano da prefeitura do Recife de 1984 a 88. Quando desenvolveu a Lei de Uso de Ocupação do Solo do município.
Em alguns pontos da RMR a expressão da sua arte marca presença, por exemplo: num dos prédios do SENAC, na Suassuna; ou no Centro de Treinamento da Mercedes Benz, na Imbiribeira. 

 No Edificio Governador Cid Sampaio, aplicou o conceito de gabinete virtual. Uma ideia inovadora que consiste em disponibilizar um cômodo na parte exterior do apartamento, onde pode ser desenvolvida uma biblioteca, escritório, ou um espaço para receber visitantes, para acompanhar o ritmo de vida atual. “Isso pegou. Todo mundo está fazendo agora” afirma o professor Zenildo.

      Zenildo Caldas também arquitetou o cemitério Parque das Flores, localizado no Sancho. Concepção que sua filha, Renata Caldas, também arquiteta, mais admira, pela plástica, leveza e beleza.  Para ela o que o caracteriza seu pai é a “busca pelo conhecimento e o propósito de acompanhar as mudanças do mundo sem deixar de lado a preocupação com os aspectos ambientais”. E todos esses aspectos são vistos e vividos também por quem trabalha ao seu lado. Com humildade ele sempre destaca que o trabalho foi realizado em equipe.  A adequação ao cotidiano, a sofisticação e o desenvolvimento sustentável, já destacados por Renata Caldas, acompanham cada projeto do professor. 


Ele foi coordenador do convênio entre o mestrado de Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco e a Fundação Projeto Piauí para execução do plano diretor da cidade de Corrente.  Lá ele concretizou mais um dos tantos feitos  que emociona Renata. A partir das comunidades produtivas e juntamente com a população, o planejamento físico da cidade foi desenvolvido baseado nas necessidades locais. Este trabalho que foi objeto de sua dissertação de mestrado, e se apoiou numa metodologia de planejamento participativo, lhe rendeu o título de cidadão de Corrente em 1979. 

      Como um bom apaixonado por Gravatá, Caldas é responsável pela beleza de muitos imóveis do local e também coordenou a Lei de Parcelamento Urbano do município.  No ano 2000, foi coordenador do plano emergencial da restauração da cidade de Palmares.  

Mesmo sendo autor de conceitos inovadores baseados na participação ativa, alguns de seus projetos não foram implementados.  Zenildo tentou o doutorado com um projeto de desenvolvimento urbano intitulado Ecópolis. A partir da ideia de que a cidade deveria se autogovernar, ele pensou o espaço urbano como meio de “refletir e promover uma sociedade mais participativa e democrática. O local em que se exerça a racionalidade na utilização dos recursos naturais e por fim deve ser o local em que os seus cidadãos se sintam felizes”. Assim a cidade foi pensada envolta de um eixo de desenvolvimento.  Infelizmente seu projeto não foi selecionado para o doutoramento. Nem por isso deixou de ter marcas expressivas de ideais transformadores e mostrar que é possível para a ciência andar de mãos dadas com a solidariedade no sentido mais agregador destas palavras.

 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Série Aula de Vida


" A história da universidade depende da história do Professor" 

Ignez de Rêgo Barros 

por Suara Macedo 


              Ela viu a UFPE nascer, crescer e frutificar. Ainda hoje, com 86 primaveras vividas (as quais tem muita alegria em anunciar), a professora Ignez Rabello de Rêgo Barros participa da Adufepe, seja dando o seu voto nas eleições, seja participando das assembleias gerais. Para ela nada disso é novidade. Ignez presenciou as primeiras assembleias da Adufepe em 1979, quando a entidade surgiu – “Se você olhar as primeiras atas das reuniões, verá que o meu nome está escrito” garante a professora. 

            Aposentada desde 1991, professora da UFPE desde 1969 ela tem muito a compartilhar. Durante esses anos atuou no departamento de Letras da UFPE, ensinando francês (tradução e prática de ensino). Para firmar sua história de educadora foram muitos os obstáculos a vencer. Aos 20 anos de idade ela já estava graduada em Letras pela Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire). Numa época em que “mulher não tinha vez” Ignez também se graduou em direito na faculdade que é símbolo da emancipação brasileira. “Em minha turma na Faculdade de Direito do Recife, havia 116 rapazes e 4 moças”, recorda. Diante do contexto machista, ela não seguiu a carreira jurídica, “Não cheguei a advogar porque naquele tempo mulher não tinha vez, as pessoas não confiavam nas mulheres”. 

Mas a ela foi confiado o ensino da lingua dos filósofos e acadêmicos. O primeiro ofício de Ignez foi ministrar aulas de latim na escola Sagrada Família.  Em 1951, recebeu uma bolsa de estudos e partiu para Paris, onde se especializou em francês e língua estrangeira para professores na Sorbonne. 

Começou a dá aulas na Universidade Federal de Pernambuco em 1969. Foi fundadora da Associação dos professores de Frances do Recife. 

Embora tenha atuado todos esses anos na educação superior, a professora acredita que o mais importante está nas séries iniciais. “Eu acho que educação vem de base. Se o professor primário não for preparado não haverá avanços. Deveriam cuidar mais da educação primária, incluindo o salário do professor” protesta. 

Com este sentimento de fé e esperança no ensino básico a professora Ignez Rabello escreveu sua história nas páginas da UFPE.  Para ela as histórias se entrelaçam “A história da universidade depende da história do professor”.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Série Aula de Vida

“A aposentadoria abriu espaço para a realização de outras atividades e de sonhos adiados, como a literatura infantil, a poesia e a pintura a óleo”

Lêda Sellaro

                                                                 Sonho – Imprescindível
Aposentadoria –  Disponibilidade para...
Universidade –  Conhecimento
Docência – Privilégio
Educação – Transformação
Família – Acolhimento



  



por Suara Macedo

Literatura Infantil

            Mãe de quatro filhos e avó de onze netos, foi depois que se aposentou que Leda Sellaro colocou em prática uma habilidade que deu um novo fôlego à sua vida de educadora: a literatura infantil. Ela acolheu o público dos pequenos, escrevendo histórias surpreendentes que ensinam e divertem. Leda se consolidou como uma grande escritora, dando vida a personagens como o vaidoso pavão Sebastião, a corajosa Galinha Galinhola, o Beija Flor brigão, e a azarada Boneca que ficou Careca.

            Ela tem visitado escolas da rede pública e privada para apresentar seu trabalho, provando que através da escrita e da leitura é possível alcançar novos horizontes, muito além de uma sala de aula.  Seus inscritos infantis que foram eternizados tiveram inspiração em momentos da infância dos filhos e netos, e na sua própria experiência. São eles: Brigão,o Beija Flor, A Galinha Galinhola que escapou da Caçarola (Bagaço), A Boneca que ficou careca, e O Pavão Sebastião Vaidoso e Sabichão (CEPE).

            Seu último livro, do pavão, será lançado no dia 24 de setembro de 2011 durante a VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, no Centro de Convenções, em Olinda. Os dois primeiros livros integram o Kit Manuel Bandeira 2010, distribuído pela Prefeitura do Recife em todas as escolas da rede municipal. A Galinhola é um dos vinte livros, escolhidos entre 580 analisados, que integram as bibliotecas escolares do Ceará, como parte do Programa de Alfabetização na Idade Certa - PAIC.     Leda integra a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil - AEILIJ – que realiza o I Encontro Pernambucano do Livro Infantil e Juvenil, nos dias 19 e 20 de agosto , no Auditório da FAFIRE. 


UFPE

            Leda Rejane Accioly Sellaro nasceu em Palmares, Pernambuco. Veio para o Recife ainda criança.  Ingressou na UFPE em 1980, no Departamento de Administração Escolar e Planejamento Educacional do Centro de Educação. Lá exerceu o magistério e outras atividades acadêmicas e administrativas, entre as quais a de vice-diretora e diretora do Centro de Educação, de Coordenadora da Setorial de Extensão, de Editora Responsável pela Revista Tópicos Educacionais e de Coordenadora de Curso de Especialização. Foi professora do Mestrado em Educação. Fez doutorado em História na UFPE, com a tese Educação e Modernidade em Pernambuco: inovações no ensino público, 1920-1937, transformada em livro, publicado pela Editora Universitária, com o qual ganhou o premio Amaro Quintas 2009, da Academia Pernambucana de Letras.
            Aposentou-se em 2003, somente no papel, pois permaneceu orientando seus alunos até 2006. Leda fez da aposentadoria uma oportunidade de efetivar antigos projetos. “A aposentadoria da UFPE não representou o término das atividades docentes que continuaram acontecendo em outras instituições. Além de abrir espaço para a realização de outras atividades e de sonhos adiados, como a literatura infantil, a poesia e a pintura a óleo”, conta a escritora.

            Ela define a docência como “um desafio que se renova a cada aula, considerando as características da turma, como um todo, e as de cada aluno, a natureza do tema em estudo, dos seus objetivos e das formas de abordagem e a estreita relação ensino/aprendizagem”. Seu mais recente lançamento é o livro de poemas Sentimentos e Emoções, publicado em dezembro de 2010, no qual é coautora e organizadora. Leda é membro da União Brasileira de Escritores – UBE – na qual participou da Antologia Um grito pelo Capibaribe, com o conto Lágrimas no rio, que será lançado pela UBE, também na VIII Bienal.

            Por essas e outras pode-se dizer que Leda  Sellaro continua na ativa e que nunca é tarde para mostrar ao mundo que somos agentes de formação e transformação. Para conhecer mais sobre o trabalho da escritora acesse o site http://www.ledasellaro.com.br/.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Série Aula de Vida

“A aposentadoria para alguns, como eu, é algo doloroso, pois, nos põe distante da juventude, que sempre nos ajuda a rejuvenescer”
José Amaro Santos
Docência - A melhor maneira que temos para enviar focos de luminosidade sobre os mais jovens
Vida – Luz eterna
UFPE – Centro de luminosidades. O saber sem limites
Docência – Um prêmio à boa cidadã e ao bom cidadão
Educação – O melhor meio de emancipar os povos
Brasil – Minha pátria amada, da qual sou uma coluna
Aposentadoria – um sepulcro, para quem deseja estar permanentemente ativo e iluminado.


        por Suara Macedo
         Esta semana o Aula de Vida homenageia um professor e músico que conhece muito bem as notas da canção feita pela Universidade Federal de Pernambuco. Canção para qual ele buscou e ensinou harmonia, e que só pôde ser composta através da união. José Amaro Santos da Silva fundou e dirigiu três grupos corais na UFPE. O Coral Universitário no antigo Departamento de Extensão Cultural, o Coral do Centro de Artes/UFPE e a Schola Cantorum Pe. Jaime Diniz. Também implantou a Banda Sinfônica Juvenil Pernambucana, em 1975, na Escola Cônego Jonas Taurino, da rede Estadual de Ensino de Pernambuco.
            São muitas as vozes que se uniram ao ritmo do professor Amaro. Dessa banda existem cerca de 1.500 profissionais músicos nas bandas civis, militares federais em todo o Brasil inclusive nas Orquestras Sinfônicas do Recife e de Sergipe.  Entre as suas publicações está o livro De Música e Músicos, composto por ensaios que discorrem sobre a história da música local e nacional e outros aspectos. 
            José Amaro ingressou na universidade como estudante da Escola de Belas Artes em 1972. Em 1981 prestou concurso e foi efetivado como Professor da disciplina de Canto Coral.  Em 1986, cursou o mestrado em música no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro. Voltando ao Departamento de Música da UFPE, em 1988 ,quando passa a ministrar as disciplinas de Canto Coral, Folclore Musical Brasileiro e História da Música Brasileira e Européia.  
             Aposentou-se recentemente, em 2009, com o sentimento de que ainda não estava na hora. “A aposentadoria, para mim, foi uma experiência dolorosa, pois, desejava permanecer, principalmente para atender a vários acadêmicos nas suas pesquisas em musicologia e em Etnomusicolgia”. Diz o professor saudosista, que se lembra do início do grande coral no Centro de Artes e Comunicação. “Fizemos memoráveis apresentações aqui no Recife no Teatro de Santa Isabel, em Maceió-AL, São Cristóvão-SE, em várias cidades do interior de Pernambuco, quando desenvolvemos projetos de interiorização do canto coral, especialmente em Caruaru e em Limoeiro, em São Luiz-MA ,  João Pessoa-PB e Natal-RGN ” , conta José Amaro.
            Sem dúvida ao se aposentar ele não deixou de ser professor. Ainda é possível ouvir o som de sua vida que é uma bela música para os que por ele foram instruídos. Mas a saudade é inevitável. “Sinto muita falta do convívio com meus alunos. A aposentadoria para alguns, como eu, é algo doloroso, pois, nos põe em uma vala comum e distante da juventude que sempre nos ajuda a rejuvenescer. Acho que o governo federal deve rever a questão da aposentadoria compulsória, deixando uma opção àqueles que desejem estarem próximos de seus discípulos, como preceptores, pois, um professor, quanto mais idoso, mais apto está a distribuir conhecimentos a uma juventude ávida por saber mais”.
Principais Obras:
Música e Ópera no Santa Isabel (Subsídio para a História e o Ensino da Música no Recife). Trabalho de musicologia histórica construído a partir de uma Dissertação de mestrado, apresentada e defendida, em 1991, no Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro. Transformado em livro e publicado pela Editora Universitária da UFPE, em 2006.
O Fascínio do Candomblé. Ensaio músico-folclórico sobre a herança negro-africana no Brasil, publicado pelo Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco, em 1978.
De Música e Músicos. No Prelo da Editora Universitária da UFPE. Contém ensaios biográficos; história da música brasileira e universal; história da música no Recife; Análise histórico-musical da estruturação; psicopedagogia da regência musical; além de críticas.
Disco:
Suíte Afro-recifense. Composição musical com base em cânticos autênticos captados nos salões de candomblé em Pernambuco, gravada pelo grupo musical KORIN ORISHÁ, a partir de um projeto apresentado ao Sistema de Incentivo à Cultura do Conselho de Políca Cultural da Prefeitura do Recife.
Corais:
Fundou e dirigiu três grupos corais na UFPE. O Coral Universitário no antigo Departamento de Extensão Cultural, o Coral do Centro de Artes/UFPE e a Schola Cantorum Pe. Jaime Diniz.
Banda de Música:
Fundou e implantou a Banda Sinfônica Juvenil Pernambucana, em 1975, na Escola Cônego Jonas Taurino, da rede Estadual de Ensino de Pernambuco. Dessa banda existem cerca de 1.500 profissionais músicos nas bandas civis, nas bandas militares federais pelo Brasil e estaduais e nas Orquestra Sinfônicas do Recife, na Orquestra Sinfônica de Sergipe, na Suíça e na Espanha.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Série Aula de Vida

“Como professor, me dediquei 36 anos a esta instituição sem falta ou atrasos”
Jarbas Souza


Vida ______ Benção
UFPE_____Desenvolvimento
Docência___Saber
Educação __Aprender
Brasil _____Patriotismo    
Aposentadoria _Experiência
           


 por Suara Macedo 

        Não é preciso muito tempo para avaliar um bom professor. Quem conversa cinco minutos com Jarbas Souza ouve um afeiçoado, quem conversa 7 descobre um apaixonado pela UFPE, quem conversa 10 aprende com ele a importância da educação na formação humana.  Para ele a melhor definição de docência está na troca de experiências, na interação e no aprendizado constante. 

            Sua história na UFPE começa em 1960, quando ingressou na Escola de Belas Artes de PE, no curso superior de pintura/escultura.  “O objetivo principal era fazer Arquitetura, mas, fui me envolvendo com os encantos das Belas Artes e com a efervescência da política estudantil” lembra Jarbas.  No segundo ano do curso foi convocado para ensinar num cursinho que naquela época era gerenciado pelo diretório acadêmico. Jarbas aceitou o desafio e acabou fazendo vestibular novamente para o curso de Professorado de Desenho, hoje Licenciatura em Expressão Gráfica. Em 1969 começa a atuar como professor universitário.

            Desde o início de sua vida acadêmica foram muitas as contribuições. Artista, deixa transparecer em suas obras o carinho pela universidade.  O autor da escultura A Dama do CAC afixada no Centro de Artes e Comunicação, também fez bustos do pintor e fundador da Escola de Belas Artes de Pernambuco, Murillo La Greca afixados também no CAC e no Museu que leva o nome de La Greca. Existem litogravuras suas que se encontram sob a guarda do Museu de Artes da Romênia.

            Além das obras de arte, Jarbas teve importantes participações em trabalhos acadêmicos.  Participou também do Projeto de Anatomia coordenado pelo Prof. João Rodrigues de Sampaio do Departamento de Anatomia do CCB/UFPE, que confeccionava materiais multimeios com o objetivo de elevar a qualidade de ensino e reduzir os custos unitários. Foi convidado pelo então vice reitor, Geraldo Pereira, diretor do CCS, para participar do Projeto de Saúde Pública. Em conseqüência disso o professor Jarbas foi ao Japão fazer um treinamento de Educação em Saúde e Técnicas de Comunicação. Um trabalho muito interessante no qual atuou, fez parte do Projeto de Saúde Pública,– A experiência de Pernambuco (1995/2000), que originou o Núcleo de Saúde Pública, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde - CCS/UFPE, direcionado aos municípios da Madre de Deus e o bairro do Ibura.  Além de criar a logo do NUSP, Jarbas foi o idealizador de um trabalho intitulado Dr. Prevenção que resultou num vídeo infantil para uma campanha sobre a importância da escovação dos dentes das crianças.

            Foram 36 anos no exercício da docência dos quais ele enfatiza “sem falta nem atrasos”. Agora aposentado, lembra com saudade da época em que lecionava. Em sala de aula e fora dela, sempre prezou pela disciplina e pela ética. Entre as experiências inesquecíveis que viveu no campus, ele cita com orgulho, um episódio em que alguém tentou, sem sucesso, lhe subornar. “Ao assumir uma diretoria na pró - reitoria comunitária, um fornecedor de gêneros me fez uma proposta, oferecendo-me um percentual, para que eu na qualidade de diretor, pudesse agilizar aquele pagamento. Recusei. Enfatizei que os proventos que recebia para exercer minhas funções, bastavam para viver dignamente com ética e retidão moral”. A moral e a ética são assuntos discutidos e ensinados em todas as academias, mas, quando transcendem o discurso e se tornam Aula de vida podem transformar gerações. Assim sem medo de olhar pra trás, Jarbas Souza é um exemplo de futuro.




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Série Aula de Vida

      O blog ProfesSOUaposentado estará fazendo uma série para homenagear os professores aposentados

da UFPE. Com pequenas biografias que relembrem a trajetória de professores que fizeram parte da História

da universidade. Acompanhe no blog, comente e veja também a sua história.