quinta-feira, 30 de abril de 2015

Participação na Jornada Nacional de Lutas - Brasília 7,8 e 9 de abril


Os professores Guilherme Varela e Jarbas Souza representaram a ADUFEPE na Jornada de Lutas dos servidores públicos federais que aconteceu em Brasília nos dias 7,8 e 9 de abril. O objetivo da jornada foi realizar um esforço concentrado na luta por avanços nos processos de negociação com o governo.

Eles participaram das mobilizações fortalecendo a representação dos docentes do Ensino Superior junto ao ANDES-SN.  “Na manhã do dia 7 nos juntamos ao grupo e aos poucos chegaram mais alguns professores do ANDES. Ficamos até ao meio dia ouvindo discursos de algumas lideranças presentes, inclusive da própria Marinalva Oliveira (ANDES), destacando a força de “mobilização” do ANDES-SN de da paralisação das Universidades Federais naquele dia” recorda Guilherme Varela.

Na mesma data, escolhida como Dia Nacional de Luta contra o PL 4330, manifestantes das centrais sindicais, e os representantes da ADUFEPE entraram em confronto com a polícia militar durante o protesto que tinha o objetivo de evitar que o Congresso Nacional aprovasse o Projeto de Lei 4330/04. 

Na manhã do dia 8 de abril, a concentração foi em Frente do Ministério do Planejamento. Como resultado foi acertada a antecipação das reuniões com o Ministério que seriam em maio para o mês de abril, visando discutir a pauta protocolada pelo Fórum dos Servidores Federais, para se estabelecer uma agenda temática e organizar o processo de negociação.
Veja as Fotos: 

Dia 07 (terça) pela manhã – Início 9h; Programa: Reunião na Tenda localizada entre os Blocos C e K.
“Chegamos por volta das 9h30 no Bloco C observando que no Bloco K no outro lado da Esplanada não tinha ninguém. Quando passamos de táxi pela frente da Catedral, havia já um grupo de pessoas, todas com camisa da CUT.  Como no Bloco C só encontramos a tenda do Pastel, resolvamos voltar caminhando para a frente da Catedral, pelo menos lá estava o pessoal da CUT. No meio do caminho encontramos um colega da Universidade do Acre, que já vinha da Catedral e nos informou que lá não havia ninguém do ANDES. Ficamos conversando por um bom tempo e como não aparecia ninguém do ANDES resolvemos ir para a Catedral, quando chegamos lá por volta de 10h20 encontramos alguns diretores do ANDES dentre eles a Marinalva. Nos juntamos ao grupo e aos poucos chegaram mais alguns professores do ANDES. Assim formamos um grupo de umas vinte pessoas do ANDES no máximo. Ficamos lá no sol escaldante até as 12h, ouvindo discursos de algumas lideranças presentes inclusive da própria Marinalva, destacando a força de “mobilização” do ANDES-SN de da paralização das Universidades Federais naquele dia”.prof. Guilherme Varela
 





 Dia 07 – Tarde – Início às 14h – Programa: Mobilização na Frente do Anexo 2 do Congresso.
“Chegamos lá por volta das 14h30 e a confusão já estava grande na frente do anexo. Como já conhecemos bem os procedimentos de entrada no congresso, não fomos para lá com camisa ou bandeira do ANDES, pois sabíamos que a segurança do Congresso não permitiria a entrada de pessoas “fardadas”, mesmo assim os seguranças nos informaram que ninguém entraria mais no congresso. Ficamos de plantão do lado de fora onde encontramos mais uns 10 professores do ANDES. Por volta das 16h a pressão foi aumentando com a chegada de mais policiais e o resultado foi que os policiais avançaram sobre os manifestantes que apenas gritavam, jogando spray de pimenta nas pessoas que ali estavam. O que tornou insustentável a nossa permanência na frente do Anexo, pois os olhos ardiam e as pessoas começaram a espirar. Algumas foram atendidas no local por paramédicos do congresso. Resolvemos contornar o Congresso e observar o que estava acontecendo na parte da frente. Quando chegamos lá, a guerra estava ainda pior, porque lá estava todo o batalhão da CUT com muitas pessoas e o confronto com a polícia, inclusive envolvendo parlamentares” Guilherme Varela.
 



















Dia 08 – Manhã
"Resolvemos não participar do evento de rua na frente do Ministério do Planejamento, para participarmos do evento no Congresso com início marcado para as 10h, para o qual a ADUFEPE foi convidada pelo Instituto MOSAP a pedido do Deputado Cleber Verde. Chegamos ao congresso por volta das 9h30 e mesmo com um pouco de resistência da Segurança do Congresso, conseguimos entrar no Plenário. Lá encontramos o presidente Edson Guilherme do MOSAP, dra. Margarida, Presidente da ANFIP e o deputado Cleber Verde que nos foi apresentado pelo Edson. Em seguida chegaram alguns deputados e o Ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas. Na ordem, o Deputado Cleber falou em defesa dos Aposentados da Previdência social, defendendo também o fim da Contribuição Previdenciária do Servidores Públicos Aposentados...".









Dia 08 – Tarde – Início às 14h; Programação: Concentração na Frente do Ministério do Planejamento
“Chegamos lá por volta das 15h, encontramos uma pequena concentração de servidores de diversas instituições e um pequeno grupo formado por cinco ou seis professores e diretores do ANDES. A esta altura o Grupo da CUT já tinha ido embora.

Com o término da reunião, conversamos rapidamente o Prof. Paulo Rizzo, presidente do ANDES, sobre o que tinha ocorrido na reunião e ele nos informou que foi acertada a antecipação das reuniões com o Ministério ainda para Abril em vez de Maio, visando discutir a pauta protocolada pelo Fórum dos Servidores Federais, para se estabelecer uma agenda temática e organizar o processo de negociação”.
 




Dia 09 – Manhã – Início às 9h; Programação:  Concentração na Tenda e Passeata até o Palácio do Planalto. 
"Fomos às 9h ao ANDES, para falar com o Paulo Rizzo, que já havia viajado. Conversamos com a secretária do ANDES e com o Prof. Júlio do Piauí, que nos convidou para irmos com ele e a jornalista do ANDES para a tenda na Esplanada dos Ministérios. Chegamos lá por volta das 9h40. O número de pessoas presentes para a passeata era ainda muito reduzido. Em torno das 11h, a quantidade de professores do ANDES presentes era em torno de umas quinze pessoas no máximo. Em seguida a passeata saiu organizada em duas filas indianas, em direção ao Palácio do Planalto, sem os integrantes da CUT" Guilherme Varela.
 












quarta-feira, 29 de abril de 2015

Uma afronta aos pernambucanos

Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

 É uma afronta aos pernambucanos, que sofrem com o precário serviço de fornecimento de energia elétrica, os benefícios tarifários concedidos à Companhia Energética de Pernambuco (Celpe). A Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acaba de anunciar novo reajuste ordinário – a contar a partir de 29 de abril próximo. Para os consumidores residenciais, o reajuste foi de 11,19%, e, para as indústrias, de 10,91%.

Estes reajustes só são possíveis devido às “facilidades” incluídas no contrato de concessão (também chamado de privatização). Ao calcular o reajuste, a Aneel considera os custos que a empresa teve, incluindo custos típicos da atividade de distribuição sobre os quais incide o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), e outros custos que não acompanham o índice inflacionário, como energia comprada, encargos de transmissão e encargos setoriais. O IGP-M, índice adotado, apresenta valores superiores ao índice oficial da inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Portanto, está nos contratos de privatização a “armadilha” que torna os aumentos nas contas de energia tão exorbitantes. Neste modelo as concessionárias nunca perdem. Na realidade, ganham sempre, pois é um modelo de “capitalismo sem risco”.

O caso da Celpe é emblemático. A própria Aneel mostra que, desde 2011 quando começou a ser divulgado, o Indicador de Desempenho Global de Continuidade (DGC) da Celpe só tem piorado. Ou seja, cai a qualidade do serviço e o consumidor é penalizado com aumentos devido às “facilidades” contratuais para a sua concessão.
Ano
DGC
Classificação
2011
0,67
4º lugar (entre 33 distribuidoras)
2012
0,84
16º lugar (entre 35 distribuidoras)
2013
2014
0,99
1,11

24º lugar (entre 35 distribuidoras)
27º lugar (entre 36 distribuidoras)
Some-se o fato de que novas “facilidades” podem ser criadas – como é o caso, neste ano, da instituição das bandeiras tarifárias (no caso da bandeira vermelha, com previsão para todo o ano de 2015, representa um acréscimo de 8,5 % em média na tarifa), cujos valores arrecadados vão direto para os caixas das distribuidoras. Segundo estimativas da Aneel, as distribuidoras devem arrecadar cerca de R$ 18 bilhões este ano. Estas empresas ainda pleitearam e receberam um reajuste extraordinário nas tarifas, que no caso da Celpe correspondeu a mais um aumento de 
2,2%. E, agora, soma-se mais este reajuste ordinário.

Os afrontosos aumentos nas tarifas de energia elétrica, atividade essencial, não deveriam ser concedidos sem que, ao menos, se levasse em conta a qualidade do serviço oferecido. Em recente pesquisa popular realizada pelo Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau (IPMN), os próprios usuários dos serviços da Celpe atestaram que costumeiramente falta energia em suas residências. De 624 entrevistados, 555 (89%) consideram comum a interrupção de energia.
Como fica claro, pelos dados oficiais, a deterioração dos serviços prestados à população pernambucana, os aumentos nas tarifas se tornam uma recompensa a ineficiência. Um estímulo para o “quanto pior o serviço, maior o custo para o consumidor”.
Precisamos de respostas a esta situação esdrúxula. Não se pode admitir que a empresa continue a ter reajustes em suas tarifas sem que se tenha no mínimo uma contrapartida na melhoria dos serviços prestados.

Meu Tempo De Historicidade Sindical no Agora com o Olhar No Amanhã

Prof. Jarbas Souza
GT de assuntos de aposentadoria da ADUFEPE


Estimados sindicalistas, mais que sindicalistas, colegas professores com os quais a cada dia aprendo a arte da representação sindical, a quem dedico meu servir como tal na defesa da nobre classe professoral.
Assim é que me é permitido chamá-los neste momento da minha temporalidade de sindicalista.
Não me parece muito fácil dizer o que sentimos, quando os sentimentos são tão puros que ao tomar forma senso-material, quase sempre perdem sua beleza intrínseca para dar lugar a concepções pré-formadas e convencionalmente preconizadas pelo homem socializado ou poluído pelas sofisticações da sociedade de bens de consumo.
Parece-nos que foi ontem, quando aqui chegamos para enfrentar o desafio de representar os docentes, com tamanha responsabilidade.
Por várias vezes tenho procurado me colocar diante de vocês de uma maneira que creio está convencido ser a melhor. Muito embora não tenha podido agradar, informar formando de modo mais sábio. Mas o faço agora, na forma não menos antiga de comunicação entre os homens de bem e de esperanças.
É necessário estar convencido de alguma coisa, pois se assim não for, a vida não tem nenhum sentido.
É fundamental, imprescindível crer em algo transcendental ao plano físico. São nossas crenças que nos mantêm de pé na luta por um mundo melhor, através do espírito que incorporado se revela nesta dimensão da reeducação.
Não é a forma material da natureza de qualquer ser que é essencial, pois ela simplesmente reflete a imagem daquilo que é. Ela é efêmera. Diante disto surgem as perguntas: para onde será que caminhamos? Será que lutamos pela vida ou para a vida?
As indagações são muitas e na realidade, poucas são as respostas que fundamentadas na lógica, objetivam a razão de nosso próprio ser.
    Mas nem por isto deixaremos de existir.
    Haverá sempre dor nos homens.
    E não é por saber disto, que devemos perder a esperança e o ideal.
O homem em seu devir de historicidade, para tornar-se homem, deve apoiar-se na justiça na verdade e no amor.
E no centro deste triangulo eqüilátero, o seu “senso humanitário” na busca pela paz, compreensão e a felicidade entre os povos de todas as raças.
    Nunca o mundo precisou tanto de nós e de nosso amor.
Nunca o próximo necessitou tanto de amor.
Nunca estivemos tão longe de nós mesmos e do reconhecimento de nossa importância para quebra os paradigmas da crise existencial dos valores morais e éticos.
Nunca necessitamos tanto de ser grandes.
E o verdadeiro segredo da grandeza está em: sempre avançar e nunca voltar atrás no amor. Amar intensamente todos os nossos irmãos com “humanidade”. Sofrer com seus fracassos, com suas angústias e necessidades. Amá-los por tudo quanto neles há de valor autêntico. Amá-los para que cada um se torne mais do que é.
Remonto na lembrança a memória de Antoine de Saint Exupéry “cativar é uma coisa muito esquecida: significa criar laços” vocês me cativam, e eu serei eternamente responsável por todos vocês. É nessa busca do cativar que construiremos nossa unidade na luta por uma sociedade mais justa e igualitária.
Laços que jamais se partirão, mesmo que haja o hiato do ser físico, mas o registro da memória não sofrerá conseqüência da erosão do tempo.
Quero neste lembrar, e não poderia deixar de fazê-lo, pois a obra de nossa temporalidade é constitutiva do somatório das experiências do agora e sempre.
O agora, o que foi e o que será, assim, é o que estendemos o permanecer do homem no espaço e no tempo, realizando-se homem enquanto homem, ser em constante dinamismo de transformações socioculturais.
A interrogação acerca do homem é concomitante do próprio ser do homem, sob alteradas condições de existências. Novas respostas surgem, e se o homem enquanto homem se afundasse na mera existência, anular-se-ia a interrogação: de onde provimos? Qual o sentido? Qual a meta da nova vida?
Do individuo? Dos povos? Da humanidade? Em especial de nosso sindicalismo verdadeiramente representativos de nossa classe professoral. Quais as nossas possibilidades e os nossos limites? Quem somos verdadeiramente? Qual a nossa posição no mundo no espaço sindical? Qual a tarefa que desde sempre nos está destinada?
A reconhecível necessidade natural da nossa existência e o inapreensível poder da nossa liberdade, a historicidade da nossa existência sem a qual nada seriamos e a nossa superioridade em relação a historia com propensão para desfazer a historia do nosso ser humano.
O paradoxo da nossa condição sindical patenteia-se nas possíveis reações de nossas relações interpessoais menos destruidoras, que seguem no caminho para a liberdade de um sindicato independente sem amarras buscando o bom senso conjunto com todos quantos se manifestarem decididos em uma luta sem baixas, mas com conquistas reais pela qualidade de vida dos professores e da cidadania. A liberdade da corporeidade da transcendência converte-se na total ausência de interesses indignos a plenitude humana.
A liberdade na instabilidade das cifras converte-se no abismo do nada.
A liberdade do saber converte-se na prisão da superstição cientifica, aquilo que alguns alcançaram, traduzindo e transformados por outros, converte-se no contrário do que foi realizado e aprendido.
A libertação da corporeidade da transcendência converte-se na escravatura da indústria mecanizada.
A libertação política converte-se na escravidão externa e interna de imposições totais.
Não são de modo algum inevitáveis todas estas incongruências. Incumbe à liberdade do homem, dar testemunho de si pela força de domínio que exerce sobre as prisões que ele próprio engendrou.
A pergunta sem a qual o risco da liberdade não seria risco mantém-se: será o caminho do homem como uma chama que a si próprio se consome? Se assim é será o seu mais alto voo do cominho para o suicídio da existência da humanidade? No decurso do milênio durante o qual as experiências judaicas se inscreveram nas escrituras bíblicas veio a lume tudo quanto em relação polar com a filosofia e a poesia grega que desde então determinou os ocidentais.
O homem é fundamentalmente diferente, mais do que qualquer outro ser vivente, e mais do que tudo o que sabe de si quando se torna objeto de si próprio na antologia, na psicologia, na sociologia, na política e nas artes.
O homem enquanto homem não é um animal bem conformado dentro de sua espécie, com determinadas características e predeterminados trilhos vitais que se repetem idênticos através das gerações.
O futuro já não se antevê, como até hoje, em continuidade de vida e de condições semelhantes, mas, como possibilidades extraordinariamente limitadas pela ameaça da destruição total.
De que forma conviveremos com a história? O saber histórico do nosso tempo e a possibilidade de informações nos vastos círculos nunca foi tão extenso. Vemos historicamente a multiplicidade do mundo e do indivíduo, as evidências com que o homem tem julgado compreender-se.
A obra sindical é como a obra da educação e o ser do mestre. É como um apreender, escutar e atender, um receber e dar. A arte sindical é descobrir na realidade a forma ideal de fazer o governo e a sociedade entender a importância das instituições de educação na medida em que entende que ela foi e sempre será fator de desenvolvimento de um país e como tal fator de segurança nacional, para a consolidação da democracia e do bem estar do povo, se cada um for o que deve ser agora e sempre.
Minha função é coparticipar com todos vocês, nesse processo, em meu tempo de historicidade, na busca dessa compreensão de sensibilização e mobilização para alcançar a plenitude de nossos ideais sob a égide da justiça da verdade e do amor com mais respeito pelo nosso irmão.
Não só debatendo as questões intrinsecamente políticas, mas, transmitindo à sociedade de quem devemos tudo, a verdadeira importância do ensino nos três níveis do conhecimento, mostrando que é das universidades que saem as maiores pesquisas de benefícios sociais e, sobretudo da importância do professor nesse contexto. Um comunicar ao espírito das pessoas que são e operam com a sociedade, e dizer a realidade, do que é como é tal qual deve ser, ou seja, mostrar os bastidores da educação brasileira e a necessidade vital de acordar para enxergar o seu desmoronamento.
Caríssimos colegas, sigamos sempre em frente e nunca voltemos atrás no amor. Olhemos as experiências do passado e sintamos que o futuro depende de nós no agora.
Assim, pois, resta-me dizer que se vacilarmos por falta de estímulos e coragem para o enfrentamento na luta por um amanhã mais próximo de um “Shangrilá”, quem sabe poderemos num futuro não muito longínquo, sermos exumados para responder por nossas fraquezas e determinação em nossas atitudes na questão sindical verdadeiramente representativa em defesa dos reais interesses dos professores.